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Descubra como conhecer o verdadeiro Douro | Viaje com a LovelyStay

Discover How to Truly Know the Douro | Travel with LovelyStay

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O Douro é uma das paisagens mais singulares de Portugal — e não é por acaso que a UNESCO o distinguiu como Património Mundial. Entre vinhas, sabores e tradições, é uma região com um ritmo próprio, que convida a abrandar e a descobrir.

Para nos mostrar o que torna este lugar tão especial, convidámos Alexandra Oliveira, Head of Guest Operations da LovelyStay, a partilhar nesta entrevista alguns dos seus segredos e experiências imperdíveis.


Como e quando nasceu a tua ligação com a região do Douro? 

Não me lembro da primeira vez que percorri aquelas estradas sinuosas até chegar à minha quinta. Quando comecei a fazê-lo, o túnel do Marão era ainda uma ideia por concretizar e chegar ao Douro fazia inevitavelmente parte da viagem. 

Na verdade, é difícil falar de um primeiro contacto porque todas as minhas raízes pertencem àquela região. Cresci com um calendário que não se organizava apenas por meses, mas pelas vindimas, pela apanha da azeitona, pelo vinho novo e pelo azeite novo. O Douro nunca foi propriamente um lugar aonde ia. Foi sempre um lugar ao qual pertencia. 

O Douro é uma terra dura que gerações inteiras foram penteando à mão, até transformarem trabalho em paisagem — aquilo a que Miguel Torga chamou, tão certeiramente, um “poema geológico”. 

Existe alguma altura do ano ou do dia em que o Douro se revele ainda mais belo? 

Paisagem sobre o Douro | Base de Imagens

O Douro, como tudo o que é naturalmente belo, não precisa propriamente de uma estação que o favoreça. Vai apenas mostrando diferentes facetas ao longo de uma volta ao sol. 

Mas, para mim, há qualquer coisa de especial no Outono. As cores tornam-se quase excessivas, saturadas, as videiras ainda cheias de folha tingem os socalcos de amarelo, ferrugem e vermelho e toda a paisagem parece acentuar-se antes de entrar no silêncio do Inverno. 

Quais são as festividades ou tradições populares que ainda marcam o calendário local? 

Sem dúvida as vindimas.

Mais do que uma tradição, são ainda uma espécie de marco no calendário e na vida de quem está ligado à terra. Se a altura do ano permitir, diria também para participar numa vindima ou até na apanha da azeitona. 

Mas diria também a Romaria de Nossa Senhora dos Remédios, em Lamego. Faz parte da minha memória da região quase tanto como as vindimas e, para mim, é difícil separar o Douro destas festas e romarias que, durante alguns dias, parecem juntar toda a gente no mesmo lugar. 

Já tiveste a oportunidade de participar numa vindima no Douro? Recomendas essa vivência aos visitantes? 

Desde pequena que vivi as vindimas de perto. Comecei pelas ramadas mais baixas, com um cesto pequenino, naturalmente proporcional aos meus poucos anos, e lembro-me de ficar fascinada a assistir àquele ritual quase hipnótico dos homens no lagar: abraçados uns aos outros, a pisar as uvas e a moverem-se como se fossem um só corpo. 

Mas as vindimas são muito mais do que apanhar uvas. São uma celebração colectiva que, para quem cresceu ali, parece correr nas veias desde sempre. Setembro inteiro fica marcado pelo cheiro doce e intenso da uva madura esmagada, que parece estender-se por todo o lado e que ainda hoje, para mim, é inseparável desta altura do ano. 

Acredito que quem tiver a oportunidade de participar verdadeiramente numa vindima, e não apenas de a observar, ainda consiga sentir esse espírito a pairar. 

Que produtos ou pratos gastronómicos te fazem lembrar imediatamente esta região? 

O cabrito recheado que sempre se fez no forno de lenha da minha quinta. O presunto que parece estar permanentemente à espera de uma fatia de pão. As azeitonas que nunca acabam. Os figos no Verão e os dióspiros no Inverno. 

Talvez porque a minha relação com o Douro seja tão familiar, penso menos em pratos de restaurante e mais nestas coisas que sempre estiveram em cima da mesa, sem cerimónia. 

Para quem viaja para o Douro pela primeira vez, quais são os planos imperdíveis? 

Fazer a EN222 entre a Régua e o Pinhão sem transformar a viagem numa corrida para chegar a lado nenhum. Parar quando apetece, porque grande parte do Douro acontece precisamente entre os destinos. 

Fazer um piquenique em São Leonardo da Galafura, subir as escadas de Nossa Senhora dos Remédios, em Lamego, e fazer uma prova de vinhos numa quinta, como a Quinta da Pacheca. 

Escadas de Nossa Senhora dos Remédios , em Lamego | Base de Imagens

E, sobretudo, deixar algum espaço vazio no plano. O Douro beneficia muito pouco de agendas demasiado eficientes. 

Sugerias alguma atividade mais invulgar ou fora dos circuitos turísticos habituais? 

Talvez fazer um pequeno desvio do Douro mais óbvio e ir até São Martinho de Anta, terra natal de Miguel Torga. Visitar a Casa e o Espaço Miguel Torga, desenhado por Eduardo Souto de Moura, e conhecer alguns dos lugares ligados à vida e à escrita do autor.

Gosto da ideia de conhecer o Douro também através de quem o tentou pôr em palavras. Torga escreveu esta paisagem, a terra e as suas gentes durante toda a vida, e há qualquer coisa de especial em ler alguns desses textos estando precisamente nos lugares de onde nasceram. 

Qual é a recordação mais marcante que guardas dos teus momentos passados na região? 

Tenho dificuldade em escolher uma, porque a minha vida é quase indissociável das temporadas que sempre passei ali. 

É a família reunida, os Natais, os rituais da Páscoa, e aquela expectativa quase infantil de provar finalmente o que a terra nos tinha dado naquele ano. 

Infelizmente, também não consigo apagar o episódio em que, do alto dos meus cinco anos, decidi que estava perfeitamente capacitada para pisar uvas com os trabalhadores. Acabei submersa no lagar e passei as horas seguintes a tirar grainhas do cabelo. 

Portanto, até as minhas memórias menos dignas estão profundamente ligadas ao vinho. 

Que conselho deixas a quem quer não apenas visitar, mas sentir verdadeiramente a região? 

Ir sem pressa. Fazer estradas secundárias. Ficar numa quinta com produção vinícola, se possível, e perceber que aquela paisagem não existe apenas para ser contemplada. 

A Alexandra no Douro | Base de Imagens

Por muito engenho e arte que se tenham desenvolvido ao longo dos anos, a vida no Douro continua a ter qualquer coisa de profundamente humilde: no fim, há sempre uma parte que depende daquilo que a terra, o tempo e o clima decidirem entregar. 

No final da viagem, o que gostavas que levassem consigo depois de conhecer o Douro? 

Gostava que levassem consigo não apenas a imagem daquela paisagem, mas também a consciência do trabalho e da dedicação à terra que existem por detrás dela. 

Porque os socalcos, as vinhas que descem pelas encostas e o rio a aparecer constantemente como pano de fundo são belíssimos, mas são também o resultado de gerações inteiras a aprender a viver num território que nunca lhes facilitou particularmente a vida. 


Junte o melhor dos dois mundos na sua próxima viagem ao Norte de Portugal. Reserve uma das nossas propriedades, explore o norte de Portugal ao seu ritmo, e faça uma escapadinha ao Douro para viver de perto tudo o que acabámos de descobrirmos juntos. No final do dia, volte para o conforto que merece.

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